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25/08/2009 16:56
Por:

Sem desculpas

Em abril de 2005 resolvi dar uma ajeitada na “fachada”, pois meus dentes caninos estavam se sobressaindo aos demais enquanto o bruxismo consumia todo o lado esquerdo da arcada. Presumia eu que a única solução seria a colocação de um aparelho, o que veio a se confirmar com o aval de um ortodontista. Pois dois anos e meio e dois pré-molares a menos depois, chega a hora de tirar a ferragem da boca e voltar aos velhos tempos em que chupar uma laranja ou comer uma manga fibrosa, pipocas e costelas bovinas no mais legítimo ritual canibal eram atividades comuns. Com a experiência adquirida, é hora também de fazer cessar a mitificação em torno de fatos que envolvem aparelhos ortodônticos.
Colocar um aparelho hoje não é mais sinal de status como alguns podem pensar. A avaliação é grátis, o aparelho é grátis, a mensalidade tem um preço módico e, dependendo do paciente, ajeitar a cremalheira pode ser bem mais rápido do que se imagina, ou seja: qualquer um pode. Mas a palavra status não está ali em cima sublinhada por mero erro de formatação, é que tem muita gente por aí que vive no passado e adora falar chiando para mostrar que usa aparelho. Desconfie dessas pessoas, principalmente se já ultrapassaram a puberdade há mais de 15 anos e estiverem participando de alguma comunidade relacionada ao assunto no Orkut com enquetes altamente relevantes tipo: “kual a parte q doeu mais??” ou “kual a cor da sua borraxinha”. De resto, não tem muito o que falar, só que o aparelho funciona e as dores que duram de dois a três dias ao mês são um atestado de que tudo está se ajeitando. Mas até disso pode-se tirar proveito, como botar a culpa no aparelho quando se está de mau humor e etcétera. O pior de tudo é que sem esta desculpa, vou ter que arrumar outra para justificar meus ataques repentinos de antipatia. Algo me diz que vou sentir saudade dos ferrinhos!