Logo Folha de Candelária
25/08/2009 16:56
Por:

Em pauta, a produo de leite

Com a intenção de capacitar produtores e também de buscar novos interessados na produção de leite em Candelária, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e secretaria municipal de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente firmaram parceria para a realização do II Seminário de Desenvolvimento da Bacia Leiteira. O evento, promovido através do departamento técnico do sindicato, acontece nesta sexta-feira, 4, a partir das 9h30, na sede do STR e deve apresentar questões importantes para os produtores, como táticas e técnicas para produção e comercialização de leite e fatores técnicos que afetam a bovinocultura leiteira, com ênfase em alimentação, reprodução e sanidade animal.
Conforme os envolvidos, a intenção é dar uma injeção de ânimo nos produtores e os impulsionar para que cada vez mais melhorem a qualidade do leite produzido no município. Além disso, segundo Dione Lazzari, técnico agrícola do sindicato, durante o seminário também será apresentado o curso já programado para este mês, que a reportagem Folha antecipa em primeira-mão. Trata-se do curso sobre Nutrição do Gado Leiteiro, de 7 a 9 de abril no Sindicato Rural.
ASCENSÃO – A mobilização em torno do leite em Candelária iniciou ainda em 2006, quando foi realizado o primeiro seminário no intuito de divulgar as idéias e congregar produtores. Já o ano passado foi dedicado a cursos e aperfeiçoamentos, o que acabou refletindo no significativo aumento da produtividade. Em 2007 foram registrados, em média, três mil litros de leite por dia. Toda a produção é comercializada para Parmalat, Cosuel e Comacel, com preços que variam entre R$ 0,45 e R$ 0,60 o litro, dependendo da quantidade e qualidade do leite. Para Lazzari, hoje o leite é uma excelente alternativa de diversificação e renda para as pequenas propriedades. “É uma prática que exige pouco tempo do produtor e pode ser conciliada com outras atividades”, explica, evidenciando ainda as margens de lucro. “Com cinco ou 10 hectares se consegue uma renda muito interessante. Até maior do que com o fumo”, argumenta.

A história do leite em Candelária
A produção de leite na década de 70 era basicamente familiar e a comercialização feita de porta em porta. Com o passar do tempo, através do fomento feito pela prefeitura e por diversas entidades da Linha do Rio, o produto passou a ser entregue na Lacesa, em Santa Cruz do Sul. Já em 1975 foram incluídas as localidades de Linha Alta, Passa Sete e Alto Passa Sete. Dois anos depois, também foram englobadas as localidades de Linha Curitiba, Linha Palmeira e Linha Brasil, com recolhimento diário de 250 a 300 litros. Em 1978 a produção chegou a 1.500 litros por dia e em 79 a 4.000 litros/dia. No entanto, a partir da instalação de um posto da Lacesa em Candelária no início dos anos 80, o município passou a aumentar sua produção consideravelmente. O pico foi em 89, com 15 mil litros entregues diariamente.
A década de 90 não foi muito gentil com a produção leiteira. O preço caiu bastante a partir do incentivo forte à produção de fumo, reduziu drasticamente também o número de produtores. Em 1993 eram cerca de 650, com produção de 5.600 litrosdia. Já em 1997 baixou para 450, com produção de 4.500 litros. Atualmente, este número está em torno de 60 produtores, com produção em torno de 3.000 litrosdia. Com o Programa de Desenvolvimento da Bacia Leiteira em Candelária, a intenção é retomar os bons tempos da produção, tornando-a cada vez maior no município e com mais espaço no mercado.