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25/08/2009 16:56
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Justificando a ausncia

Milhões de leitores desta coluna abarrotaram minha caixa de e-mail e me atacaram nas ruas perguntando por que não escrevi na semana passada e na retrasada. Justifico: é que ultimamente anda fervilhando o meio político na cidade e tenho que cobrir estes fatos. Tem gente que realmente ama política; uns até fazem dela uma profissão e buscam se manter ou buscar cargos eletivos a qualquer preço, nem que para isso coloquem em xeque a credibilidade e a honra de outras pessoas. Por este e outros motivos, tudo acaba desembocando na justiça e, dado o grande número de representações judiciais, estou passando boa parte dos meus dias correndo entre a Folha e o Cartório Eleitoral, onde sou sempre muito bem atendido pelo Rodrigo, pela Rosângela e pela Ligiane.
Mas só para dar uma idéia de como a coisa anda, chegou ao ponto de gente furtar exemplares dos assinantes da Folha para deixar em seu lugar um certo panfleto com propaganda eleitoral irregula (acompanhem a matéria nesta edição). Digo irregular porque o próprio juiz eleitoral considerou que ela avilta a campanha e não tem respaldo legal, e mandou recolher o que ainda restou dos 10.000 distribuídos aos quatro ventos. A experiência nova em tudo isso ficou por conta do registro na DP. Acostumado a cobrir notícias policiais, pela primeira vez na vida figurei como reclamante, e sinceramente espero que a polícia descubra quem é o panfleteiro ladrão de jornais.
O interessante de tudo isso é que eu faço outra leitura da situação: sei que muita gente não gosta de política e acha um desperdício gastar páginas e páginas de jornal veiculando o que se pode chamar de conflitos de interesses. Eu bem que estava louquinho de vontade para falar sobre a receita do musse de Ki-Suco de groselha com chiclete Tremendão picado e calda de Biotônico Fontoura que eu mesmo inventei, mas vamos deixar para outro dia. Parafraseando o dito popular, aguardemos que a caravana passe e os cachorros parem de latir para retomar o curso da história, principalmente em respeito a quem não gosta de certos tipos de baixarias.

As intermináveis
historinhas de ônibus...

A história a seguir vem a calhar ao se aproximar mais uma eleição. Espero sinceramente que ninguém se sinta ofendido, mesmo porque esta coluna é uma obra de ficção e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
Reza a lenda que um cabo eleitoral de certo candidato estava a bordo de um ônibus que iria de Candelária com destino a Santa Maria. Ao seu lado estava um garoto de uns 10 anos, de óculos, com ar intelectual. Assim que o ônibus partiu da rodoviária, o compenetrado garoto abriu um livro, mas o cidadão ao lado resolveu puxar conversa:
– Ouvi dizer que o caminho fica mais curto se a gente conversa com o passageiro ao lado. Gostaria de conversar comigo?
O garoto fechou calmamente o livro e respondeu: – Talvez seja interessante. Sobre qual tema o senhor gostaria de discutir?
– Ah, que tal política? Você acha que devemos reeleger o atual prefeito ou dar uma chance a outro?
O garoto suspirou e replicou: – Pode ser um bom tema, mas antes preciso lhe fazer uma pergunta.
– Então manda! – encorajou o cabo eleitoral.
– Cavalos, vacas e cabritos comem a mesma coisa, capim, grama, ervas, concorda?
– Sim! – respondeu...
– No entanto, cabritos excretam bolinhas, vacas largam placas de esterco e os cavalos grandes pelotas... Qual é a razão para isto?
O cabo eleitoral pensou por alguns instantes, mas confessou que não sabia a resposta.
Então o garoto concluiu: – Como o senhor se sente qualificado para discutir quem deve governar um município se não entende de bosta nenhuma?
E durante o resto da viagem não trocaram mais uma palavra sequer...