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O sabor da carne de Candelria
A segunda edição da série “Riquezas da Nossa Terra”, publicada hoje pela Folha, revela o potencial do gado de corte de Candelária. Na última terça, 3, foi divulgada a importância do rebanho destinado à produção de leite, que igualmente contribui para o fortalecimento da economia local. O leitor conferiu naquela reportagem que o leite produzido no município abastece duas empresas de laticínios dos Vales do Rio Pardo e Taquari, além dos mercados da região, e que só em 2008 gerou R$ 882 mil. Vale ressaltar que a atividade leiteira reúne 60 agricultores.
A produção de carne se destaca na região das Oveiras, do Capão Claro, Pinheiro, Rincão dos Bois, Rincão da Lagoa e Bom Retiro. De acordo com o médico veterinário Carlos Alberto Roos, que presta assistência para alguns criadores do município, as raças existentes em Candelária são a européia (Hereford e Aberdeen Angus) e a zebuína. “Além destas, há a chamada raça ‘híbrida’, que resulta do cruzamento de animal europeu com zebuíno ou charolês. A maioria do rebanho é cruzado; cerca de 80%”, explica. Conforme Roos, o gado europeu é o que produz a melhor carne.
Esta, aliás, é a principal preocupação dos criadores. “O mercado exige carne de boa procedência e com qualidade. Hoje os produtores estão enfocados neste objetivo”, acrescenta. O segredo para garantir essa diferenciação é, em primeiro lugar, fornecer uma boa alimentação ao animal; em segundo, manter a sanidade do rebanho (aplicação de vacinas, vermífugos e sal mineral); e em terceiro, escolher uma raça que se adapte ao ambiente (clima) da propriedade. O melhoramento genético também é importante.
De acordo com Roos, o gado europeu pode ser criado com facilidade no Rio Grande do Sul, já que as condições climáticas são favoráveis. A raça apresenta maior fertilidade, precocidade, facilidade de partos, habilidade materna, longevidade e produz carne com o chamado “marmoreio” - gordura que confere mais maciez, sabor e suculência. Os animais vão para o abate, geralmente, entre 18 e 24 meses de idade. Já as fêmeas é a partir dos sete anos de idade, quando encerra, em média, o período de reprodução.
ZEBU - O rebanho zebuíno tem maior predomínio em minifúndios, visto que é mais utilizado para o trabalho na agricultura. Isto se explica pelo fato de ser uma raça rústica e mais resistente ao calor. O médico veterinário Carlos Alberto Roos destaca que estes animais têm porte elevado ideal para a tração e que, quando cruzados com outros da raça Holandesa ou Jersey, produz leite de ótima qualidade. Já a carne não é tão macia porque a gordura fica acumulada em alguns pontos.
Entretanto, o rendimento compensa. No caso das fêmeas (com boa qualidade), a produção de carne pode chegar a 49%. Os novilhos precoces podem atingir até 56% de rendimento. No que se refere a preço, conforme Roos, o valor é semelhante tanto na raça européia quanto na zebuína. “Varia em torno de R$ 2,75 a R$ 3,00 o quilo para o abate”, afirma.
Já para a comercialização, os valores são superiores e oscilam de acordo com o tipo de corte escolhido pelo consumidor (confira tabela ).
Três gerações na pecuária
Entre os produtores que se destacam na criação de gado de corte em Candelária está o zootecnista Carlos Schmachtenberg, que administra duas propriedades na região de Oveiras e Bom Retiro. Há 30 anos na atividade, ele herdou o gosto pela pecuária do pai, Rodolpho Schmachtenberg, e do avô, Alvino Hintz. As três gerações da família construíram as fazendas Caaporã (Oveiras) e Guajuvira (Bom Retiro) que, juntas, produzem bovinos da raça Red Angus, ovinos da raça Texel e cavalos crioulos.
No início das atividades, em meados dos anos 60, a família de Carlos trabalhava com a raça charolês que, igualmente, era cruzada com outras. Nos últimos 12 anos, com o objetivo de produzir carnes de maior qualidade, o pecuarista começou a criar novilhos da raça Red Angus. Estes animais, segundo ele, têm porte médio e atingem até 470 quilos.
Conforme Schmachtenberg, a atividade exige dedicação. “É preciso produzir com qualidade para atender aos consumidores mais exigentes”, afirma. Isto se explica pelo fato de o Brasil ter o segundo maior rebanho de corte do mundo e ser o maior exportador de carne. Atualmente, as fazendas Caaporã e Guajuvira também possuem rebanhos definidos de cavalos e novilhos de origem americana e canadense. “Em parceria com o Carlos Alberto (veterinário) foi iniciado o plantel ‘Parceria 2C’, que hoje possui só animais com ventres puros e registrados”, acrescenta. Ele adianta que também são produzidas crias com incorporação de sangues Casamú e Brigadier, de procedência argentina. “O Brigadier é o touro mais indicado para uso em plantéis puros pela Associação de Criadores de Angus do Rio Grande do Sul. Ele tem mais precocidade, profundidade, musculatura e padrão”, garante. “Uma dose de sêmen do Brigadier, utilizada para inseminação artificial, custa R$ 24,00. É uma das mais caras do mercado”, finaliza.
PROPRIEDADE -Juntamente com a criação de gado de corte, Carlos Schmachtenberg mantém na propriedade o cultivo de soja e arroz com permanente melhoramento de pastagens. “Preservo muito a limpeza do campo e das matas, além das fontes de água porque é assim que se consegue manter a lotação adequada de animais”, justifica. Sobre os custos da propriedade, ele destaca os fertilizantes para produção de pastagens, óleo diesel, arames, impostos (ITR - Imposto Territorial Rural, por exemplo), vacinas, mão-de-obra e o deslocamento até a cidade.
Também são referência as propriedades de Lígia Lenz Roos, Rui e Jorge Lenz e Paulo Hintz (Oveiras), de Heitor da Fontoura Porto (Capão Claro), de Lauro Grehs e Enor Garcia (Bom Retiro), e de Alcides Brixner (Pinheiro, Rincão dos Bois e Rincão da Lagoa). Na próxima terça, 17, a série “Riquezas da Nossa Terra” vai mostrar a criação de caprinos em Candelária.
1ª c/osso
Alcatra - R$ 13,90
1ª s/osso
Picanha - R$ 19,80
Coxão de dentro - R$ 12,98
Coxão de fora - R$ 11,70
Maminha - R$ 14,80
Patinho - R$ 11,70
2ª c/osso
Paleta - R$ 7,89
Costela - R$ 5,98
2ª s/osso
Paleta - R$ 9,89
A produção de carne se destaca na região das Oveiras, do Capão Claro, Pinheiro, Rincão dos Bois, Rincão da Lagoa e Bom Retiro. De acordo com o médico veterinário Carlos Alberto Roos, que presta assistência para alguns criadores do município, as raças existentes em Candelária são a européia (Hereford e Aberdeen Angus) e a zebuína. “Além destas, há a chamada raça ‘híbrida’, que resulta do cruzamento de animal europeu com zebuíno ou charolês. A maioria do rebanho é cruzado; cerca de 80%”, explica. Conforme Roos, o gado europeu é o que produz a melhor carne.
Esta, aliás, é a principal preocupação dos criadores. “O mercado exige carne de boa procedência e com qualidade. Hoje os produtores estão enfocados neste objetivo”, acrescenta. O segredo para garantir essa diferenciação é, em primeiro lugar, fornecer uma boa alimentação ao animal; em segundo, manter a sanidade do rebanho (aplicação de vacinas, vermífugos e sal mineral); e em terceiro, escolher uma raça que se adapte ao ambiente (clima) da propriedade. O melhoramento genético também é importante.
De acordo com Roos, o gado europeu pode ser criado com facilidade no Rio Grande do Sul, já que as condições climáticas são favoráveis. A raça apresenta maior fertilidade, precocidade, facilidade de partos, habilidade materna, longevidade e produz carne com o chamado “marmoreio” - gordura que confere mais maciez, sabor e suculência. Os animais vão para o abate, geralmente, entre 18 e 24 meses de idade. Já as fêmeas é a partir dos sete anos de idade, quando encerra, em média, o período de reprodução.
ZEBU - O rebanho zebuíno tem maior predomínio em minifúndios, visto que é mais utilizado para o trabalho na agricultura. Isto se explica pelo fato de ser uma raça rústica e mais resistente ao calor. O médico veterinário Carlos Alberto Roos destaca que estes animais têm porte elevado ideal para a tração e que, quando cruzados com outros da raça Holandesa ou Jersey, produz leite de ótima qualidade. Já a carne não é tão macia porque a gordura fica acumulada em alguns pontos.
Entretanto, o rendimento compensa. No caso das fêmeas (com boa qualidade), a produção de carne pode chegar a 49%. Os novilhos precoces podem atingir até 56% de rendimento. No que se refere a preço, conforme Roos, o valor é semelhante tanto na raça européia quanto na zebuína. “Varia em torno de R$ 2,75 a R$ 3,00 o quilo para o abate”, afirma.
Já para a comercialização, os valores são superiores e oscilam de acordo com o tipo de corte escolhido pelo consumidor (confira tabela ).
Três gerações na pecuária
Entre os produtores que se destacam na criação de gado de corte em Candelária está o zootecnista Carlos Schmachtenberg, que administra duas propriedades na região de Oveiras e Bom Retiro. Há 30 anos na atividade, ele herdou o gosto pela pecuária do pai, Rodolpho Schmachtenberg, e do avô, Alvino Hintz. As três gerações da família construíram as fazendas Caaporã (Oveiras) e Guajuvira (Bom Retiro) que, juntas, produzem bovinos da raça Red Angus, ovinos da raça Texel e cavalos crioulos.
No início das atividades, em meados dos anos 60, a família de Carlos trabalhava com a raça charolês que, igualmente, era cruzada com outras. Nos últimos 12 anos, com o objetivo de produzir carnes de maior qualidade, o pecuarista começou a criar novilhos da raça Red Angus. Estes animais, segundo ele, têm porte médio e atingem até 470 quilos.
Conforme Schmachtenberg, a atividade exige dedicação. “É preciso produzir com qualidade para atender aos consumidores mais exigentes”, afirma. Isto se explica pelo fato de o Brasil ter o segundo maior rebanho de corte do mundo e ser o maior exportador de carne. Atualmente, as fazendas Caaporã e Guajuvira também possuem rebanhos definidos de cavalos e novilhos de origem americana e canadense. “Em parceria com o Carlos Alberto (veterinário) foi iniciado o plantel ‘Parceria 2C’, que hoje possui só animais com ventres puros e registrados”, acrescenta. Ele adianta que também são produzidas crias com incorporação de sangues Casamú e Brigadier, de procedência argentina. “O Brigadier é o touro mais indicado para uso em plantéis puros pela Associação de Criadores de Angus do Rio Grande do Sul. Ele tem mais precocidade, profundidade, musculatura e padrão”, garante. “Uma dose de sêmen do Brigadier, utilizada para inseminação artificial, custa R$ 24,00. É uma das mais caras do mercado”, finaliza.
PROPRIEDADE -Juntamente com a criação de gado de corte, Carlos Schmachtenberg mantém na propriedade o cultivo de soja e arroz com permanente melhoramento de pastagens. “Preservo muito a limpeza do campo e das matas, além das fontes de água porque é assim que se consegue manter a lotação adequada de animais”, justifica. Sobre os custos da propriedade, ele destaca os fertilizantes para produção de pastagens, óleo diesel, arames, impostos (ITR - Imposto Territorial Rural, por exemplo), vacinas, mão-de-obra e o deslocamento até a cidade.
Também são referência as propriedades de Lígia Lenz Roos, Rui e Jorge Lenz e Paulo Hintz (Oveiras), de Heitor da Fontoura Porto (Capão Claro), de Lauro Grehs e Enor Garcia (Bom Retiro), e de Alcides Brixner (Pinheiro, Rincão dos Bois e Rincão da Lagoa). Na próxima terça, 17, a série “Riquezas da Nossa Terra” vai mostrar a criação de caprinos em Candelária.
1ª c/osso
Alcatra - R$ 13,90
1ª s/osso
Picanha - R$ 19,80
Coxão de dentro - R$ 12,98
Coxão de fora - R$ 11,70
Maminha - R$ 14,80
Patinho - R$ 11,70
2ª c/osso
Paleta - R$ 7,89
Costela - R$ 5,98
2ª s/osso
Paleta - R$ 9,89