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Aves, abate comercial gera mais retorno
A segunda reportagem sobre avicultura publicada hoje, 28, em “Riquezas da Nossa Terra” detalha dois sistemas de produção - comercial (integrado) e colonial - da criação voltada ao abate. Na edição anterior, a Folha mostrou o potencial da avicultura de postura, cuja produção é estimada em 611 mil dúzias no município conforme a última estatística do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - 2007). O leitor conferiu, na ocasião, que a região Sul do país aparece em segundo lugar (23%) no ranking da distribuição brasileira de ovos. Também foi informado de que em Candelária a criação doméstica tem maior volume de ovos comercializados, com mercado informal, e que a comercial apresenta alto grau de investimento e tecnologia, igualmente com poucos adeptos.
Percebe-se, portanto, que tanto na postura quanto no abate a produção industrial tem como entrave os altos custos de infraestrutura. Na avaliação do técnico agrícola e extensionista da Emater, Sanderlei Pereira, o ideal seria incentivar a criação comercial no município como forma de incrementar a renda. “A atividade é economicamente viável para as pequenas propriedades porque as aves podem ser criadas em áreas menores. Além disso, possibilita a fertilidade dos solos e gera retorno de recursos através do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), já que a movimentação financeira é expressiva na avicultura”, destaca.
Segundo ele, 95% do mercado avícola brasileiro são abastecidos pelas empresas que trabalham de modo integrado com o produtor. Os 5% restantes são preenchidos pelos agricultores familiares que, independente de estarem ou não associados a abatedouros ou cooperativas, abastecem o mercado local com pequenos lotes (exemplo a seguir). O modelo integrado funciona da seguinte maneira: o produtor investe em infraestrutura e mão-de-obra enquanto a indústria fornece os lotes de pintos, alimentação, medicação e assistência técnica, se comprometendo, ainda, a adquirir o produto a um preço previamente estabelecido através de contrato entre as partes.
Um dos criadores que está na atividade, nestas condições, em Candelária, é Ernani Silveira. Ele mantém um aviário de 1.260 m² na propriedade de Heitor Petry, em Capão Claro, há 12 quilômetros da cidade. Em entrevista à Folha, ele conta que está na atividade desde 1986. “Optei pelo modelo integrado depois que decidi aumentar a criação. Queria investir sem ter que me preocupar em obter ração, medicamento ou assistência técnica; e este sistema me disponibiliza tudo isso”, explica. “Comecei a criar para a antiga Minuano e depois passei para a Avipal, que hoje pertence à Perdigão de Lajeado”, acrescenta. Até quatro anos atrás, Ernani mantinha um aviário na Vila Fátima.
LOTES - Atualmente, ele entrega, em média, seis lotes de aves por ano - cada um é formado por 18 mil aves. O produtor recebe os pintos com um dia de idade e se responsabiliza pela criação até o lote atingir 29 (machos) ou 32 dias (fêmeas). Nesta fase o peso da ave varia entre 1,45 e 1,55 quilos. A criação é feita no modo intensivo à base de quatro tipos de ração: a pré-inicial (fornecida na primeira semana), a F01 (até os primeiros 19 dias), a F02 (para o crescimento) e a F50 (fornecida até seis dias antes do abate). Durante todo esse processo, a indústria destina ração, medicamentos e assistência técnica. “As visitas ficam agendadas e não preciso me preocupar. Recebo todas as orientações com a relação completa do que as aves vão receber de alimentação ou medicação”, destaca.
Ele afirma, no entanto, que a permanência na atividade depende do cumprimento de exigências legais, como a obtenção de licença junto à Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental) e de uma série de cuidados com a criação, como aquecimento durnate o inverno ou ventilação no verão.
Produção colonial tem vantagem
As aves criadas na propriedade, ao modo “caseiro”, são comercializadas de forma esporádica pelos produtores. Em Candelária, este sistema tem um grande diferencial, já que é beneficiado pela venda de aves de boa procedência. A granja, de propriedade de Hilton Gewehr, fornece pintos de raças com maior peso e resistência aos produtores. Entre elas se destacam as de pescoço pelado vermelho e branco (Label rouge), a carijó (Rock barrada), o “vermelho pesadão” e o máster.
No sistema colonial, onde as aves são criadas soltas em piquetes, o custo é maior e a qualidade é melhor. “O frango colonial tem a carne mais firme, colorida e saborosa”, diz Sanderlei Pereira. “Isto se explica porque são abatidas por volta dos dois ou três meses. A alimentação também contribui porque possui proteínas, vitaminas e minerais, além dos alimentos da propriedade, como batata, milho, aipim e verduras”, conclui.
No município, embora se restrinja praticamente ao consumo doméstico, aos poucos tem se investido na produção colonial. Podem ser citadas como exemplo cinco famílias da Associação Nossa Senhora de Fátima do Roncador, que ingressaram na atividade há cerca de três anos. De acordo com Sanderlei, estes produtores receberam recursos a fundo perdido do Programa RS Rural para construir os galpões de criação das aves.
ABATEDOURO - Nesta época, o objetivo era aumentar a produção com a possibilidade de instalar um abatedouro de aves em Candelária. Segundo o secretário de Agricultura, Orlando Kochenborger, havia um projeto inicial em parceria com a Emater para expandir o fornecimento do produto no mercado local. Conforme ele, o trabalho não avançou porque depende da realização de um estudo de viabilidade econômica. “A Univates (Centro Universitário) de Lajeado apresentou uma proposta na época, que não foi levada adiante devido aos custos. Sem este estudo, que poderá indicar fatores relevantes, como despesas, vantagens e logística, não é possível dar seqüência ao projeto”, relata. Além disso, para garantir a comercialização, os produtores teriam que formar uma cooperativa.
Percebe-se, portanto, que tanto na postura quanto no abate a produção industrial tem como entrave os altos custos de infraestrutura. Na avaliação do técnico agrícola e extensionista da Emater, Sanderlei Pereira, o ideal seria incentivar a criação comercial no município como forma de incrementar a renda. “A atividade é economicamente viável para as pequenas propriedades porque as aves podem ser criadas em áreas menores. Além disso, possibilita a fertilidade dos solos e gera retorno de recursos através do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), já que a movimentação financeira é expressiva na avicultura”, destaca.
Segundo ele, 95% do mercado avícola brasileiro são abastecidos pelas empresas que trabalham de modo integrado com o produtor. Os 5% restantes são preenchidos pelos agricultores familiares que, independente de estarem ou não associados a abatedouros ou cooperativas, abastecem o mercado local com pequenos lotes (exemplo a seguir). O modelo integrado funciona da seguinte maneira: o produtor investe em infraestrutura e mão-de-obra enquanto a indústria fornece os lotes de pintos, alimentação, medicação e assistência técnica, se comprometendo, ainda, a adquirir o produto a um preço previamente estabelecido através de contrato entre as partes.
Um dos criadores que está na atividade, nestas condições, em Candelária, é Ernani Silveira. Ele mantém um aviário de 1.260 m² na propriedade de Heitor Petry, em Capão Claro, há 12 quilômetros da cidade. Em entrevista à Folha, ele conta que está na atividade desde 1986. “Optei pelo modelo integrado depois que decidi aumentar a criação. Queria investir sem ter que me preocupar em obter ração, medicamento ou assistência técnica; e este sistema me disponibiliza tudo isso”, explica. “Comecei a criar para a antiga Minuano e depois passei para a Avipal, que hoje pertence à Perdigão de Lajeado”, acrescenta. Até quatro anos atrás, Ernani mantinha um aviário na Vila Fátima.
LOTES - Atualmente, ele entrega, em média, seis lotes de aves por ano - cada um é formado por 18 mil aves. O produtor recebe os pintos com um dia de idade e se responsabiliza pela criação até o lote atingir 29 (machos) ou 32 dias (fêmeas). Nesta fase o peso da ave varia entre 1,45 e 1,55 quilos. A criação é feita no modo intensivo à base de quatro tipos de ração: a pré-inicial (fornecida na primeira semana), a F01 (até os primeiros 19 dias), a F02 (para o crescimento) e a F50 (fornecida até seis dias antes do abate). Durante todo esse processo, a indústria destina ração, medicamentos e assistência técnica. “As visitas ficam agendadas e não preciso me preocupar. Recebo todas as orientações com a relação completa do que as aves vão receber de alimentação ou medicação”, destaca.
Ele afirma, no entanto, que a permanência na atividade depende do cumprimento de exigências legais, como a obtenção de licença junto à Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental) e de uma série de cuidados com a criação, como aquecimento durnate o inverno ou ventilação no verão.
Produção colonial tem vantagem
As aves criadas na propriedade, ao modo “caseiro”, são comercializadas de forma esporádica pelos produtores. Em Candelária, este sistema tem um grande diferencial, já que é beneficiado pela venda de aves de boa procedência. A granja, de propriedade de Hilton Gewehr, fornece pintos de raças com maior peso e resistência aos produtores. Entre elas se destacam as de pescoço pelado vermelho e branco (Label rouge), a carijó (Rock barrada), o “vermelho pesadão” e o máster.
No sistema colonial, onde as aves são criadas soltas em piquetes, o custo é maior e a qualidade é melhor. “O frango colonial tem a carne mais firme, colorida e saborosa”, diz Sanderlei Pereira. “Isto se explica porque são abatidas por volta dos dois ou três meses. A alimentação também contribui porque possui proteínas, vitaminas e minerais, além dos alimentos da propriedade, como batata, milho, aipim e verduras”, conclui.
No município, embora se restrinja praticamente ao consumo doméstico, aos poucos tem se investido na produção colonial. Podem ser citadas como exemplo cinco famílias da Associação Nossa Senhora de Fátima do Roncador, que ingressaram na atividade há cerca de três anos. De acordo com Sanderlei, estes produtores receberam recursos a fundo perdido do Programa RS Rural para construir os galpões de criação das aves.
ABATEDOURO - Nesta época, o objetivo era aumentar a produção com a possibilidade de instalar um abatedouro de aves em Candelária. Segundo o secretário de Agricultura, Orlando Kochenborger, havia um projeto inicial em parceria com a Emater para expandir o fornecimento do produto no mercado local. Conforme ele, o trabalho não avançou porque depende da realização de um estudo de viabilidade econômica. “A Univates (Centro Universitário) de Lajeado apresentou uma proposta na época, que não foi levada adiante devido aos custos. Sem este estudo, que poderá indicar fatores relevantes, como despesas, vantagens e logística, não é possível dar seqüência ao projeto”, relata. Além disso, para garantir a comercialização, os produtores teriam que formar uma cooperativa.