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Colunista 13/11/2018 10:45
Por: Ângelo Savi
Ângelo Savi

Ângelo Savi

Ângelo Savi é advogado, formado pela UNISC, com pós-graduação em Direito Processual pela mesma instituição. Tem interesse em vários ramos do conhecimento, especialmente História, Política, Filosofia, Literatura, probabilidade, estatística e, mais recentemente, em Economia. Em seus artigos, chama atenção a facilidade com que passa de uma área a outra do conhecimento, aprofundando o tema abordado.

Por que os juros são tão altos

Não, não é por causa dos bancos malvados. Claro que, no que diz respeito ao desejo deles, os juros podem continuar nas nuvens para sempre. Mas não são eles os responsáveis pelas taxas absurdas que pagamos. O responsável é o vilão de sempre. O causador das inúmeras calamidades que os brasileiros são obrigados a suportar. Catástrofes como o DETRAN e seus pardais nas estradas e carteiras de motorista a R$ 2 mil; tomadas de três pinos; imposto de renda; preço do gás de cozinha, gasolina e energia; burocracia; a conta da internet; os carros mais caros do mundo; mulheres usando calças rasgadas de propósito e se achando chiquérrimas. Não. Esta última acho que não. Mas quem sabe? Enfim, o grande culpado é o GOVERNO. Menos pelas calças rasgadas.

Como é que funciona? O Brasil gasta uns R$ 500 bilhões a mais do que arrecada por ano. Para pagá-los toma dinheiro emprestado dos bancos. Os bancos acham que vale mais a pena emprestar para o governo que domina a impressão do dinheiro do que para os mortais comuns. Eu, se fosse banqueiro, não emprestava um centavo para o governo, justamente porque ele deve até os fundilhos das calças. Na verdade somos nós que devemos e pagamos a conta. Mas, enfim, os bancos devem saber o que estão fazendo.

Como quase todo o crédito disponível é tomado pelo governo, sobra muito pouco para o resto da população. E tudo que é escasso e altamente desejado é caro. É por isto, e só por isto, que os juros são tão altos. De modo que somos penalizados uma primeira vez porque pagamos impostos que são insuficientes para pagar o funcionalismo, cargos de confiança, políticos, aposentados, dívidas e roubalheira. Uma segunda vez porque teremos que pagar as dívidas que o governo faz para se custear e uma terceira vez porque todo o dinheiro que nos é tomado deixa de construir, fabricar coisas úteis e pagar serviços que são as atividades que criam empregos e desenvolvimento.

Além do mais, o crédito, que é essencial para o crescimento, inexiste de fato, porque é impossível investir tomando empréstimo à taxa de juros praticada no mercado. Quem já ficou devendo no cheque especial ou no cartão de crédito, que somos quase todos os brasileiros, sabe disto. Por isto, continue falando mal dos bancos, mas, para ser justo, não se esqueça de incluir também o governo no xingamento.