Por: Odete Jochims
16ª Junta de Recursos realiza sessão especial com Dra. Jane Berwanger
A 16ª Junta de Recursos da Previdência Social realizou, na
segunda-feira, 8 de dezembro, uma sessão especial em Curitiba, reunindo
advogados e conselheiros para um dia de debates e julgamentos presenciais.
Integrando o projeto itinerante, iniciativa que realiza as sessões das Juntas presenciais
em diferentes estados, aproximando o processo administrativo da realidade dos
segurados, o encontro recebeu autoridades e marcou um momento importante para o
sistema recursal da previdência social.
Responsável por julgar recursos de benefícios negados pelo INSS,
o Conselho de Recursos da Previdência Social tem ampliado seu diálogo com a
advocacia e reforçado a análise qualificada de temas sensíveis, especialmente
aqueles que envolvem o trabalho rural e sua complexidade probatória.
Entre os profissionais convidados para participar da sessão
esteve a gaúcha Dra. Jane Berwanger, referência nacional em Direito
Previdenciário e conhecida por seu trabalho técnico e humanizado na defesa de
trabalhadores rurais. A advogada realizou, ao vivo, duas sustentações orais em
processos de seu escritório, abordando um dos temas mais delicados e ainda
pouco compreendidos na esfera administrativa: o reconhecimento de trabalho
rural exercido por crianças com menos de 12 anos.
Em sua fala, Dra. Jane, que trabalhou na roça até os seus 18
anos, trouxe elementos concretos da vida no campo e destacou que, para milhares
de famílias brasileiras, o labor infantil não é uma escolha, mas parte da
dinâmica de subsistência. Compartilhou, inclusive, uma memória pessoal: quando
criança, gostava de dias chuvosos porque sabia que em dia chuvoso não
precisaria ir para a roça. Enquanto outras crianças brincavam, ela e tantas
outras ajudavam no cultivo que garantia a sobrevivência da família.
O depoimento chamou atenção dos conselheiros e reforçou a
necessidade de um olhar mais atento e sensível sobre a realidade do campo.
Segundo ela, é comum que quem não vivencia essa rotina questione a existência
desse tipo de trabalho, mas a experiência prática e as evidências históricas
demonstram sua presença em boa parte do território rural brasileiro.
A advogada destacou ainda que o debate não se limita à
infância trabalhadora, mas se estende à compreensão mais ampla da atividade
rural como um todo, suas particularidades, vulnerabilidades e formas
tradicionais de organização familiar.
A participação da Dra. Jane na sessão da 16ª Junta de
Recursos simboliza um movimento maior: o de qualificar o julgamento
administrativo e aproximar os conselheiros das realidades que, muitas vezes,
não estão escritas nos autos, mas fazem parte do cotidiano de quem vive da
agricultura familiar.
Com a expansão do projeto itinerante, a expectativa é que
mais sessões presenciais aconteçam pelo país, ampliando o diálogo institucional
e fortalecendo a proteção de direitos no âmbito previdenciário.
Texto:
Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação