Por: Odete Jochims
Diálogo e transparência pautam a terceira vez de Cristina Rohde como presidente da Câmara
A parlamentar mais experiente do Legislativo
candelariense inicia mais um mandato à frente da Câmara de Vereadores. Pela
terceira vez na presidência, Cristina Rohde reforça o compromisso com o
diálogo, a transparência e a aproximação com a comunidade. Com cinco mandatos
consecutivos, ela detém o maior tempo de atuação entre os 11 vereadores de
Candelária e assume novamente o comando da Casa em um momento desafiador,
marcado por restrições financeiras.
Como de costume, a eleição para a presidência exigiu
articulação política, tendo em vista que outros nomes estavam no radar e,
inicialmente, contavam com o apoio do prefeito Nestor Ellwanger. Apesar das
movimentações nos bastidores, Cristina Rohde foi eleita quase por unanimidade —
apenas o vereador Márcio Bataioli se absteve. Os demais parlamentares votaram
favoravelmente à chapa composta por Cristina Rohde como presidente, Jair Radtke
como vice-presidente e Cezar Pohlmann como secretário.
Para a vereadora, ocupar novamente o cargo não tem
caráter simbólico, mas representa muito trabalho e responsabilidade. “A
presidência não é um cargo decorativo. Pelo contrário, exige muito tempo,
responsabilidade e tomada de decisões que impactam diretamente o funcionamento
do Legislativo e a vida da população”, destaca a parlamentar do Partido
Progressistas.
No aspecto pessoal, o novo mandato reflete a
confiança dos colegas vereadores e a confirmação de que as gestões anteriores
sob seu comando foram bem conduzidas. Cristina também enfatiza o papel da
mulher na política. “É uma demonstração clara de que as mulheres podem exercer,
com competência, o comando de entidades e instituições públicas”, reforça.
Desafio em meio à crise financeira
Uma das prioridades neste início de gestão é a
votação do projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA), que deveria ter sido apreciado
ainda no ano passado. No entanto, a Prefeitura encaminhou o projeto durante o
recesso parlamentar, o que impossibilitou sua análise naquele período. Para
2026, o orçamento previsto do município é de R$ 197 milhões, uma diferença de
mais de R$ 4 milhões, equivalente a uma queda de 2,19%.
Diante de um cenário econômico pouco favorável, a
presidente destaca que a Câmara será parceira na contenção de gastos. “Vamos
garantir o andamento dos trabalhos do Legislativo, sem desperdícios,
colaborando com o município na busca pelo equilíbrio fiscal e orçamentário.
Assim como na gestão da vereadora Jaira, os recursos serão empregados apenas no
que for essencial ao funcionamento da Casa Legislativa”, afirmou.
Sobre a relação com o Poder Executivo, Cristina
adota um tom de equilíbrio. Ela reconhece que, no processo político, existem
preferências, mas ressalta que, após a eleição, todos devem atuar em prol do
interesse público. “O Legislativo não é uma extensão do Executivo, mas também
não deve ser um entrave ao desenvolvimento do município. Nosso papel é legislar
e fiscalizar, sempre com responsabilidade e diálogo”, pontua.
Maior diálogo com a população e
vereadores
Conforme a presidente, não estão previstas grandes
mudanças na forma de atuação da Câmara, que seguirá sendo a casa do povo, com
portas abertas para receber os cidadãos e suas demandas. Como diferencial desta
gestão, está previsto o aumento do número de audiências públicas, a ampliação
da divulgação dos trabalhos legislativos e o incentivo à participação popular.
“Nossa intenção é reduzir o distanciamento da
comunidade e ampliar a transparência, com a disponibilização de um sistema de
votação no site da Câmara Municipal, onde a população poderá se manifestar se é
favorável ou contrária a determinado projeto de lei. Não será necessário
cadastro ou identificação, bastando acessar a página e escolher a opção
desejada”, explica.
SITUAÇÃO E OPOSIÇÃO
Mesmo com uma Câmara considerada mais tranquila e
com maioria de vereadores alinhados ao governo, a presidente acredita que o
diálogo entre situação e oposição seguirá pautado pelo bom senso. Ela destaca
que, historicamente, o Legislativo candelariense se caracteriza por votações
majoritariamente unânimes, reflexo da maturidade política dos parlamentares.
“Independentemente de serem de situação ou oposição,
a maioria dos vereadores é muito sensata e razoável, não havendo dificuldades
em trabalhar conjuntamente para aprovar pautas de interesse público.
Dificilmente ocorrem votações apertadas, predominando a unanimidade. Por isso,
não creio que teremos dificuldades no diálogo institucional”, conclui.

