Logo Folha de Candelária
Região 16/01/2026 10:22
Por: Odete Jochims

Geoparque avança na estruturação e projeta desenvolvimento da região

O município de Candelária desponta como um dos principais pilares do Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo, projeto regional criado em julho de 2023, com o objetivo de valorizar o patrimônio geológico, paleontológico, cultural e turístico do Vale do Rio Pardo. O território do geoparque abrange os municípios de Candelária, Vale do Sol, Vera Cruz, Santa Cruz do Sul, Rio Pardo, Venâncio Aires, Passo do Sobrado e Vale Verde, reunindo áreas de grande relevância científica ligadas ao período Triássico.

Desde sua criação, o projeto vem avançando gradualmente e de forma estruturada. Sob a coordenação da Associação de Turismo da Região do Vale do Rio Pardo (Aturvarp), foi instituído um Grupo Gestor, responsável por conduzir as primeiras etapas do futuro geoparque. Entre os principais avanços está o mapeamento dos geossítios existentes no território, etapa essencial para a organização técnica e científica da proposta e posterior reconhecimento internacional.

Conforme o presidente da Aturvarp, Djalmar Ernani Marquardt, a próxima etapa prevê a assinatura de um termo de adesão pelos prefeitos, a formalização do consórcio com CNPJ próprio, a montagem da estrutura administrativa, a contratação de equipe técnica e, então, o início do processo de certificação junto à Unesco. “A sensibilização dos gestores públicos municipais é fundamental para o fortalecimento do geoparque e para o avanço das etapas futuras”, destaca Marquardt.

Nesse contexto, Candelária é considerada um ponto estratégico para o desenvolvimento do Geoparque Vale do Rio Pardo. A presença do Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, que abriga um expressivo acervo paleontológico, coloca o município em posição de destaque no projeto. “Entre os municípios que integram o território do geoparque, Candelária se sobressai significativamente, reunindo os melhores resultados em pesquisas científicas e a maior concentração de geossítios e fósseis já identificados”, afirma.

DESENVOLVIMENTO

O Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo é visto como um projeto estruturante, capaz de elevar o turismo do Vale do Rio Pardo a um novo patamar, promovendo desenvolvimento econômico, social e cultural, aliado à preservação de um patrimônio natural único. “Do ponto de vista econômico e social, o potencial do geoparque é expressivo. A exploração científica e turística dos geossítios deve ampliar a visibilidade internacional da região, atraindo pesquisadores, acadêmicos e turistas de diversas partes do mundo, além de impulsionar setores como hospedagem, gastronomia, comércio e serviços”, pontua o presidente.

 

Candelária cadastra projeto de revitalização do Museu Aristides Carlos Rodrigues

O município de Candelária cadastrou junto ao Governo do Estado, por meio do Programa Avançar Geoparque 2, um projeto de revitalização do Museu Aristides Carlos Rodrigues. A iniciativa tem como objetivo modernizar a estrutura física do espaço e fortalecer o museu como referência cultural, científica e turística da região.

A proposta prevê a revitalização estrutural do prédio, a construção de um átrio que funcionará como hall de entrada, além da climatização dos ambientes e da aquisição de equipamentos eletrônicos e de mídias interativas. Conforme a prefeitura, o projeto busca consolidar o museu como um espaço de representatividade regional, valorizando o patrimônio arqueológico e paleontológico do Vale do Rio Pardo.

Atualmente, o Museu abriga acervos de grande relevância geológica, paleontológica, arqueológica e histórica de Candelária. Segundo o curador Carlos Nunes Rodrigues, nos últimos anos o acervo foi ampliado em função do projeto do geoparque. “Além do patrimônio local, passamos a contar também com material fossilífero de afloramentos de municípios da região, como Santa Cruz do Sul, Vera Cruz, Vale do Sol e Novo Cabrais”, destaca.

No ano passado, o Museu passou a funcionar no Parque de Eventos Itamar Vezentini, o que garantiu um espaço físico maior e mais segurança ao acervo. No entanto, o curador ressalta que ainda há desafios a serem superados. “Hoje temos mais espaço e melhores condições de segurança, mas ainda enfrentamos problemas relacionados à luminosidade e à temperatura nos dias mais quentes. Também há necessidade de ampliar a estrutura de armários, expositores e, especialmente, do laboratório da instituição”, explica.

Sobre o geoparque, Rodrigues afirma que Candelária reúne condições para representar a região como um polo paleontológico de destaque nacional. “Temos a maior coleção de réplicas em tamanho real de animais pré-históricos do período Triássico das Américas, além da exposição de fósseis de cerca de cinquenta espécies. No momento, estamos finalizando a nova exposição de paleontologia”, conclui.