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Geral 22/03/2026 10:42
Por: Gabriele Brittes

O desafio de preservar as fontes naturais

O caminho para a segurança hídrica de Candelária depende da ação coletiva

Inserido na Região Hidrográfica do Atlântico Sul, em uma zona entre a Mata Atlântica e o Pampa, o município de Candelária possui uma riqueza natural estratégica, mas que enfrenta desafios estruturais. Dados do Instituto Água e Saneamento (IAS) revelam que 55,1% de 29.194 habitantes foram atendidos com abastecimento de água em 2025. Ou seja, cerca de 13 mil pessoas não tiveram acesso direto à rede. 

Neste domingo, 22 de março, é celebrado o Dia Mundial da Água. A data reforça a urgência na preservação dos recursos hídricos e sua importância para o planeta. Em Candelária, o tema convida à reflexão e atenção para as áreas de encosta e propriedades rurais, onde as nascentes desempenham um papel vital. Com isso, esse debate deixa de ser técnico e passa a ser comunitário, envolvendo a responsabilidade de todos na proteção das fontes de água.

Preservar as nascentes significa proteger a base de todo o sistema hídrico local. Após os impactos da estiagem, Candelária sofreu com os reflexos da responsabilidade ambiental para garantia de sustento e economia local.   “Hoje, diríamos que o principal problema é a perda da capacidade dessas nascentes de manter vazão ao longo do tempo. Isso acontece por uma combinação de fatores: estiagens mais frequentes, chuvas irregulares, altas temperaturas e também degradação do entorno das nascentes, como retirada de vegetação, compactação do solo, uso inadequado da terra e pouca infiltração de água no solo”, afirmam os biólogos e integrantes do Projeto de Conservação Fauna e Flora, Cayana-Vida Silvestre, Fabiele Hintz e Humberto Lange.

Segundo eles, a falta de água em Candelária está diretamente ligada à estiagem prolongada e ao comportamento irregular de chuvas. Eles afirmam que este padrão climático preocupante, indica que o risco de nova escassez permanece real, agravado pelas altas temperaturas e baixa capacidade de infiltração nas microbacias. A seca das nascentes, no entanto, não possui uma única causa, sendo o resultado de um processo combinado entre a mudança no regime de chuvas e a degradação ambiental. “De um lado, temos a mudança no regime de chuvas. De outro, em muitas áreas ocorre redução da vegetação protetora, degradação do solo, assoreamento, compactação e menor infiltração da água da chuva. A nascente não seca apenas porque choveu menos; ela seca porque o sistema que deveria armazenar e liberar água lentamente também está fragilizado”, explicam. 

Mas a solução passa por duas etapas: recuperação e prevenção. “Destacaríamos a proteção das nascentes com cercamento e recomposição de vegetação nativa no entorno, a recuperação de matas ciliares, práticas de conservação do solo para aumentar infiltração e reduzir erosão, retenção e reservação de água por meio de cisternas, açudes e outras estruturas adequadas”, concluíram.

SAIBA MAIS
A preservação da água é um esforço coletivo. Na cidade, a contribuição passa pelo uso consciente e pelo descarte correto de resíduos. No campo, o foco deve ser evitar o pisoteio excessivo de animais sobre as fontes e preservar as matas ciliares. O Dia Mundial da Água reforça que,  quando uma nascente seca, o problema deixa de ser individual e torna-se coletivo. A segurança hídrica de Candelária depende da proteção no campo e  consciência na cidade.