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Colunista 24/03/2021 08:58
Por: Ângelo Savi
Ângelo Savi

Ângelo Savi

Ângelo Savi é advogado, formado pela UNISC, com pós-graduação em Direito Processual pela mesma instituição. Tem interesse em vários ramos do conhecimento, especialmente História, Política, Filosofia, Literatura, probabilidade, estatística e, mais recentemente, em Economia. Em seus artigos, chama atenção a facilidade com que passa de uma área a outra do conhecimento, aprofundando o tema abordado.

Quem está certo?

Nós, humanos, fomos projetados para correr, andar e a nossa fisiologia é preparada para comer um pouco de tudo. Pelo menos é o que dizem os especialistas. Não fomos feitos para capinar, carregar sacos nas costas, passar o dia inteiro dirigindo um carro ou nos empanturrarmos com bolos ou cerveja. Daí que tudo aquilo que fazemos para que não fomos projetados acaba nos trazendo problemas. Isto explica em parte as dores nas costas, problemas com digestão e até suicídios. É verdade que nossos antepassados da idade da pedra cuja atividade física era praticada em obediência à nossa natureza estavam sujeitos frequentemente a morrer de fome ou serem comidos por feras, mas os que sobreviviam eram mais fortes que nós e, de novo segundo os especialistas, mais felizes.

É que tudo que se faz com determinado objetivo inevitavelmente também tem efeitos inesperados, quase sempre indesejáveis. Por exemplo, há poucos dias, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma notícia a respeito da exaustão a que as pessoas são levadas pelas videoconferências. Eu as acho muito práticas e as uso frequentemente na minha profissão. Não tinha pensado no seu aspecto negativo, mas, de fato, elas causam uma espécie de cansaço que não é do mesmo tipo que os normais resultantes de esforços físicos. Também é bem conhecido o efeito colateral do vício na internet que já anda a demandar tratamento psicológico. Na Coreia, um casal deixou a filha de três meses morrer de desnutrição enquanto - veja só a ironia - estavam obcecados com a criação de um bebê virtual no jogo Prius Online. E isto foi em 2010, imagine como a coisa se agravou de lá para cá.

O mesmo para o lockdown, ou “fique em casa” que assola o mundo. Não há evidência conclusiva, incontestável, de que ele seja eficaz para combater a disseminação do Coronavirus. Não falo, evidentemente, dos palpites dos sábios políticos e da grande mídia, mas dos estudos publicados na revista científica mais prestigiada do mundo, a Nature (ou a Lancet, ou a Science, e muitas outras facilmente acessíveis na internet), em que se encontram milhares de artigos verdadeiramente científicos em que NENHUM afirma que o lockdown é efetivo. O máximo que se encontra é a constatação de que é possível que adiante alguma coisa. Pelo contrário, os resultados dos estudos indicam cada vez mais que o resultado do “fique em casa” é oposto ao seu objetivo. Veja a Declaração de Great Barrington (Great Barrington Declaration), na qual hoje (23 de março), 13.838 CIENTISTAS de dezenas de países afirmam a ineficiência do lockdown e suas consequências nefastas. Os três cientistas que encabeçam a declaração são os professores Dr. Martin Kulldorff, da Universidade de Harvard, Dr. Sunetra Guptra, da Universidade de Oxford, e Dr. Jay Bhattachrya, da Universidade de Stanford. É suficiente em termos de autoridades médicas? Vejam esta passagem da declaração: “As atuais políticas de bloqueio estão produzindo efeitos devastadores na saúde pública de curto e longo prazo. Os resultados (para citar alguns) incluem taxas de vacinação infantil mais baixas, piora nos desfechos de doenças cardiovasculares, menos exames de câncer e deterioração da saúde mental - levando a um maior excesso de mortalidade nos próximos anos, com a classe trabalhadora e os membros mais jovens da sociedade carregando o fardo mais pesado. Manter os alunos fora da escola é uma grave injustiça.”

E aí, quem deve estar com a razão: quase catorze mil cientistas de todos os cantos do mundo ou políticos e jornalistas palpiteiros?

(A propósito, parte da mídia criticou e critica a Declaração. O jornal O Globo de 09 de setembro de 2020, por exemplo, diz que “...o documento ganhou impulso...”, “...apesar de não representar a corrente dominante...”. Quem decide qual é a corrente dominante é O Globo, evidentemente.