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Rural 23/01/2026 08:25
Por: Diego Foppa

Crise no preço preocupa produtores de arroz

Segundo o Irga, municípios da região terão redução da área plantada, uma tendência dos últimos anos

O que tem trazido a discussão da crise do arroz à tona é a queda acentuada do preço. A situação afeta especialmente o Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 70% da produção nacional do cereal, base da alimentação dos brasileiros. A cotação despencou nos últimos meses, alcançando patamares considerados abaixo do valor necessário para cobrir os custos e gerar lucro aos agricultores. No entanto, os problemas vão além, como a falta de competitividade e o aumento dos custos de produção.
Conforme o engenheiro agrônomo e coordenador regional do Instituto Rio Grande do Arroz (Irga), Enio Coelho, o cenário atual é considerado preocupante. “O preço médio está entre R$ 44,00 e R$ 49,00 (saca de 50 quilos). O valor pago representa cerca de 30% do custo de produção. Portanto, essa conta não fecha”, argumenta. O engenheiro também reforça que há preocupação com o futuro, já que pode levar tempo até ocorrer um equilíbrio entre preço e custo. “Dependemos muito da exportação. Por isso, são necessárias ações imediatas sobre a cadeia produtiva do arroz. Quando produtores enfrenta crise dessa magnitude, todo comércio perde, pois dinheiro deixa de circular na cidade”, acrescenta. 

Redução da área plantada e desafios 
No Vale do Rio Pardo, de maneira geral, Enio comenta que as lavouras têm se comportado bem. “Desde o período de semeadura, a radiação solar tem sido um fator positivo para o desenvolvimento das plantas. Atualmente, a maioria está nos períodos vegetativo e reprodutivo, devendo entrar na fase de maturação nos próximos 15 dias”, explica.
Na região, a área destinada à orizicultura ocupa pouco menos de sete mil hectares. Dados do Irga apontam que a nova safra terá área semeada de 1.400 hectares em Novo Cabrais, 780 em Cerro Branco e 5.040 hectares em Candelária. A redução tem sido uma tendência a cada novo ciclo. “As áreas vêm diminuindo a cada ano e os produtores estão migrando para outras atividades. Em Candelária, por exemplo, a redução é de aproximadamente 50% da área em 12 anos”, conclui.
Um dos produtores que reduziu a área é Ezequiel Hitz, da localidade de Linha Alta. Ele herdou a profissão do pai, Nilson, e conta que diminuiu o plantio em 40%, passando de 165 hectares para 100. O agricultor vê com preocupação o cenário atual e afirma que foi necessário migrar para outras culturas, como milho e soja. “O momento atual é preocupante para o produtor, pois existem passivos acumulados de safras anteriores, como os prejuízos registrados no ano da enchente. Naquele período, o preço era satisfatório, mas houve pouca produção”, afirma. Além disso, Ezequiel ressalta que o custo de produção não diminuiu. “Plantar somente arroz ficou completamente inviável para os produtores de maneira geral”, completa.

Taxa paga ao Irga servirá para socorrer orizicultores 
Aprovado em dezembro pela Assembleia Legislativa, o Projeto de Lei 472/2025, enviado pelo governo do Estado, autoriza a utilização dos recursos provenientes da Taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (Taxa CDO) do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) para o financiamento, subvenção ou apoio a programas, projetos e ações voltados ao fomento do setor orizícola no Rio Grande do Sul.
A proposta altera a Lei nº 13.697/2011, que deu nova redação à Lei nº 533/1948, do Estatuto do Irga. O objetivo é permitir que os recursos da Taxa CDO, que desde o início de 2025 são repassados integralmente ao instituto, possam ser utilizados em iniciativas de apoio aos produtores, contribuindo diretamente para o enfrentamento dos desafios da cadeia orizícola.
De acordo com o engenheiro agrônomo e coordenador regional do Irga, Enio Coelho, o projeto está estruturado em dois eixos: fomento ao escoamento da produção, com aporte de R$ 20 milhões, e apoio a produtores afetados por catástrofes climáticas, que contará com R$ 18 milhões. As inscrições para pleitear os recursos já estão abertas e devem ser realizadas junto ao Irga, responsável pela análise dos processos. Após a aprovação, o valor será depositado diretamente ao produtor, via Pix ou outro meio. O benefício varia conforme cada caso, com limite de até R$ 400,00 por hectare.

IMPORTANTE – Em Candelária, bem como nos municípios atendidos pelo 27º Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nate), as inscrições serão feitas a partir de 2 de fevereiro.