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Colunista 08/08/2017 09:02
Por: Guilherme Brambatti Guzzo
Guilherme Brambatti Guzzo

Guilherme Brambatti Guzzo

Guilherme Brambatti Guzzo nasceu em Sananduva/RS, é biólogo e professor. Atualmente, é docente no curso de Ciências Biológicas da Universidade de Caxias do Sul e cursa doutorado em Ensino de Ciências e Matemática pela PUCRS. A coluna tratará de livros e discutirá temas relacionados à educação e às ciências.

A arte da procrastinação: como realizar tarefas deixando-as para depois

É sábado à tarde e estou escrevendo este texto. Há pouco, terminei de organizar um trabalho que vou apresentar na quarta-feira. Ainda tenho uma aula para preparar, e mais uma apresentação para fazer, que será realizada daqui a menos de uma semana. Tenho que fazer isso neste final de semana porque já sei que terei muitas atividades durante os próximos dias.

É sábado à noite e estou escrevendo este segundo parágrafo. Comecei a escrever esta coluna à tarde, como disse acima, mas acabei deixando o trabalho no início para ir caminhar. Depois, ao voltar para casa, jantei, assisti a alguma coisa na televisão, dei uma olhada nas notícias da internet, ouvi música, andei para lá e para cá, e agora continuo com o texto. Ah, a apresentação e a aula que eu preciso organizar ainda estão por fazer.

Sou às vezes um bom procrastinador, isto é, deixo para amanhã o que eu poderia ter feito hoje. Mas, depois de ler A arte da procrastinação: como realizar tarefas deixando-as para depois, do filósofo John Perry (Editora Paralela, 2014), me sinto um pouco menos culpado por esses lapsos de organização. Perry afirma que a procrastinação não é privilégio de poucos, mas isso pode não ser um problema tão grave quanto parece, apesar de ser um problema.

Perry defende aquilo que ele chama de “procrastinação estruturada”, que nada mais é do que fazer alguma coisa quando você deveria estar fazendo outra. Como, no meu caso, ficar ouvindo música quando tenho trabalhos a completar. A procrastinação, aliás, raramente significa não fazer nada, mas fazer algo que talvez fosse melhor não fazer em um certo momento, porque há outras prioridades. Mas se você é um procrastinador estruturado, pode ser que aquilo que você está fazendo no lugar daquilo que supostamente deveria fazer tenha grande valor. Perry, por exemplo, escreveu artigos e livros quando deveria encaminhar outros trabalhos, e talvez o produto de sua procrastinação tenha sido melhor e mais importante do que as coisas planejadas antes.

A arte da procrastinação é um livro curto (124 páginas, mas seu formato é de bolso) e que pode ser lido sem muita demora. Não há nele discussões aprofundadas a respeito da origem da procrastinação, nem muitos detalhes do que é possível fazer para superar esse mau hábito, embora Perry dê algumas dicas para isso. Uma leitura interessante para quem quer conhecer mais sobre este tema.