Logo Folha de Candelária
Colunista 31/05/2019 20:29
Por: Ângelo Savi
Ângelo Savi

Ângelo Savi

Ângelo Savi é advogado, formado pela UNISC, com pós-graduação em Direito Processual pela mesma instituição. Tem interesse em vários ramos do conhecimento, especialmente História, Política, Filosofia, Literatura, probabilidade, estatística e, mais recentemente, em Economia. Em seus artigos, chama atenção a facilidade com que passa de uma área a outra do conhecimento, aprofundando o tema abordado.

O Paulinho e as placas

No Dia do Trabalho, o deputado Paulinho da Força (que nomes esta gente inventa...) declarou que a reforma da previdência não pode garantir a reeleição do Bolsonaro. Foi um alvoroço. Adversários o acusaram de só se preocupar com eleições e não com o bem do Brasil, seus apoiadores disseram que isto é mentira e patati, patatá. Passado menos de um mês ninguém mais fala no assunto, e os protestos foram pura hipocrisia. A única preocupação dos políticos é com seus cargos e mordomias e, evidentemente, com eleições. O deputado resvalou e foi sincero uma vez na vida: seu horizonte, como o de todos os políticos, são as eleições e somente eleições. Nos intervalos, para parecer que estão fazendo alguma coisa inventam alguma bobagem para nos aporrinhar.

Por exemplo, as novas placas dos automóveis. Algum político ou burocrata (o que dá no mesmo), não tendo nada melhor para fazer, inventou de mudar as placas dos automóveis. Qual é a utilidade em mudar as placas? Nenhuma, a não ser o transtorno de ter que fazer a mudança e, claro, o gasto extra. Fora disto, nada. Elas pioraram a identificação da origem do automóvel, ao contrário das anteriores, que eram completamente diferentes em cada país. Como se fosse preciso que esteja escrito na placa “Argentina” ou “Paraguay” para sabermos que estamos tratando com um argentino ou com um paraguaio. Elas pioraram a segurança porque agora não se sabe se o veículo veio de outra cidade ou de outro estado, porque na placa está escrito simplesmente “Brasil”. Elas não servem para melhorar a circulação dos automóveis estrangeiros, porque placas não têm nada a ver com o trânsito. Placas só servem para sermos multados ou como palpite no jogo do bicho.

São confusas porque misturam números e letras, ao contrário das atuais, em que há um grupo de três letras e outro de quatro números. Falar em padrão Mercosul é piada, pois o suposto mercado comum sul-americano nasceu morto. Não há nem nunca houve mercado comum sul-americano. Mais do que 300 dólares em compras em Rivera já tem que pagar imposto, sob pena da fiscalização confiscar tudo que compramos. O Brasil é e sempre foi uma das economias mais fechadas do mundo, inclusive em relação aos países do Mercosul. Os outros países também são fechados, de modo que não há um mercado comum sul-americano. A mudança das placas é um simulacro de que se está fazendo alguma coisa pela integração, como se adotar as mesmas placas nos carros fizesse alguma diferença.

Melhor seria que quem inventou as placas fizesse como o deputado Paulinho da Força e só se preocupasse com eleições. Pelo menos não estaríamos sendo chateados com a obrigação de mudar de placa nem extorquidos com gasto inútil.